quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Do 80 para o 8

No sítio onde trabalhava anteriormente havia de tudo (bem, quase tudo) do bom e do melhor (incluindo a alcatifa que parecia um colchão). Os computadores eram rápidos, o programa de gestão documental raramente crashava, os faxes e os scanners funcionavam na perfeição. E vá, de vez em quando uma máquina fotocopiadora ou outra lá empacavam e ficavam assim uns dias. Mas (oh júbilo!) haviam outras máquinas noutros pisos quase tão boas (ou melhores que as primeiras).
Eu nunca liguei muito ao facto de ter uma armário cheio de canetas de diversas cores e feitios que me podia servia a toda a hora, outro com envelopes, outra gavetinha com selos, nem nunca liguei muito à facilidade de fazer num abrir e fechar de olhos uma digitalização de um índice de um livro ou de um artigo que se tinha de mandar para Londres, Bruxelas ou Nova Iorque.
Ás vezes lá pensava nos milhares de post its gastos a torto e a direito e nas pastas que tinham de ser as mais caras do mercado, já para não falar nos cadernos xpto.

Era normal e fácil ser assim. Facilitado. Porque se não fosse havia logo alguém que se passava. Porque tudo tinha de ser para ontem e do melhor. E nada podia falhar, até porque supostamente havia sempre alguém para resolver o que houvesse para resolver.

Ora portanto, por cá é muito diferente. Logo na primeira semana chamara-me à atenção que não podia gastar tantos post-its (logo eu que tinha a mania de colar um em todo o lado, até na testa de fosse preciso).
Não liguei muito. Mas depois apercebi-me que devemos ter aí umas três canetas que escrevem. E ontem consegui passar pela vergonha de não arranjar nenhuma para um utilizador preencher um formulário.
Cadernos também é mentira. Usa-se folhas de rascunho e faz-se caderninhos. Não estamos na época da reciclagem e da reutilização? Ora estamos muito bem!
Já para não falar nas cadeiras que devem estar cá há dez anos e que já estão um tanto ou quanto partidas.

E pedir material? É preciso ser por escrito e autorizado pela chefe, que isto a malta trabalha na empresa falida desde sempre.

Mas pior, pior, foi mesmo esta semana. Dois artigos para enviar. Dois scanners que não funcionam e que não sabem quando funcionarão. E fax? Funciona muito mal. Há dois. Mas um dá sempre erro. E o outro tem de se pôr a folha uma a uma e esperar, esperar, esperar... Estive quase para pegar em mim e ir entregar directamente ao sítio! Demorei quase uma hora para enviar um artigo de quatro páginas!

Os outros eram para Coimbra. Mais páginas... Logo, tem de ser por correio, fax neste caso não dava mesmo! E como é que se faz para enviar por correio? "Não há envelopes A4? Como assim? Mas tenho umas 30 páginas para enviar!!!!! Só há pequenos e com janela? E tenho de enviar primeiro para outro pólo para depois enviarem tudo para o correio?"

Ufa...

A sério... Mais valia ter ido também a Coimbra entregar.

E agora o curioso. No meio disto tudo e apesar da falta de material, sinto-me mais feliz por cá!

3 comentários:

mi disse...

sendo assim é um oito com sabor a oitenta :D

Manuela disse...

Claudia, gostei da frase final, pois apesar de todos os contratempos, estás mais feliz :)

clara disse...

também sou uma previligeada e raramente dou conta