terça-feira, 13 de maio de 2014

Marriage

Uma coisa aprendi com o tempo: relações à la Carrie e Mr Big são doentias. E completamente desgastantes. Secalhar se tiveres 15 ou 17 anos a coisa do começa_acaba_começa_acaba faça mossa mas não destabiliza completamente. A partir daí só é masoquista quem quer. E eu fui durante seis anos. Bolas, fui mesmo masoquista! Por um amor que julgava (na altura) que poderia vencer tudo e todos deixei-me estar com a pessoa mais doentia, instável, dominante, egoísta, hipócrita, arrogante e manipuladora que alguma vez conheci. Até ali tinha vivido seis anos que me ensinaram o que não quero - e que mais vale sozinha do que mal acompanhada - e que me fizeram ver que não deve haver nenhum medo em se estar por nossa conta e risco.
Quando finalmente acordei tudo o que era bom aconteceu na minha vida. E apareceste TU.
E hoje, não posso estar mais feliz por isso!

No entanto, uma das coisas positivas em Carrie e Mr Big é a conversa descontraída sobre o casamento.


Mr. Big: Would you want to get married?
Carrie Bradshaw: Well, I didn't, didn't think that was an option.
Mr. Big: What if it was an option?
Carrie Bradshaw: Why? What? Do you want to get married?
Mr. Big: I wouldn't mind being married to you. Would you mind being married to me?
Carrie Bradshaw: No, no, not, not if that's what you wanted. I mean, is, is that what you want?
Mr. Big: I want you. So, ok.
Carrie Bradshaw: So really, we're, we're getting married?
Mr. Big: We're getting married. Should we get you a diamond?
Carrie Bradshaw: No. No. Just get me a really big closet.

(...)

Mr. Big: That's why you need a diamond... to seal the deal. 


E foi assim que aconteceu, porque inicialmente nem pensei que pudesse ser uma opção. E assim, cá estamos nós, hoje e sempre. E todos os dias cada vez mais fortes.


  Ever Thine, Ever Mine, Ever Ours.

terça-feira, 4 de março de 2014

Diário de uma desempregada #1

O IEFP chama-me para uma única entrevista - colectiva - para comunicar que somos os "felizes seleccionados" para ir a uma entrevista para uma Câmara Municipal. Nada de mal até sabermos que não é trabalho, é "ocupação". E que por isso temos deveres mas não temos direitos. E que vamos continuar com subsídio de desemprego.

Para compor o ramalhete, a ocupação era... num cemitério.

E pergunto-me, mais que nunca: porque é que continuei a estudar, mesmo?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Do amor

"Quem é que tem a sorte de ter um amor dele ou dela que ama ou que tem, seja amado ou amada? Tenho eu e conheço muitas pessoas que já têm ou que vão ter. Mas, tal como todos os outros apaixonados e todas as outras apaixonadas, desconfio, com calor na alma, que ninguém tem o amor que eu tenho pela Maria João, meu amor, minha mulher, minha salvação.
O amor sai caro - medo de perdê-la, medo do tempo a passar, medo do futuro - mas paga-se sem se dar por isso. Mentira. Dá-se por isso só nos intervalos de receber, receber, receber e dar, dar, dar.
Basta uma pequena zanga para parecer que todo aquele amor desmoronou: "Onde está esse teu apregoado amor por mim (de mãos nas ancas), agora que eu preciso dele?"
Quanto maior o amor, mais frágil parece. Quanto maior o amor, mais pequeno é o gesto que parece traí-lo. Mas com que alegria nos habituamos a viver nesse regime de tal terror!
Maria João, meu amor: o barulho que faz a felicidade é ouvires-me a perder tempo a resmungar e a pedir que tudo continue exactamente como está, para sempre. Que nada melhore. Que não tenhamos mais sorte do que já temos. Que nada mude nunca, a não ser quando mudamos juntos. E que fiquemos sempre não só com o que temos mas um com o outro.
É este o tempo que eu quero que dure, tu és o amor que eu tenho. Nunca te demores quando estás longe de mim, tem sempre cuidado, trata-te nas palminhas, que, cada vez que olho para ti, o meu coração cresce e eu amo-te cada vez mais. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público' (14 Fevereiro 2013)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

De volta

Este blog enquanto esteve fechado não teve grandes entradas. A ideia era que pudesse ser uma fuga, um escape a toda a porcaria que o mundo laboral me tinha trazido.
Mas durante muito tempo nem me senti capaz de transpor em palavras o que me ia cá dentro. Escrevi algumas coisas mas todas elas eram demasiado fatídicas e tristes. E por isso nem tenho grande vontade de as reler.

Hoje, passaram-se alguns meses desde o meu último dia de trabalho e sinceramente não posso dizer que esteja curada. A última coisa que tenho vontade é de reingressar em ambientes que a única coisa que trazem é dissabores.

Gostava de dizer que cresci e que ganhei defesas mas isso não é verdade. Estou mais atenta, mas cá dentro ainda sou a menina ingénua que acredita nas pessoas.

E por ser essa menina que ainda acredita no mundo continuo a sofrer bastantes desilusões.

Hoje é mais um dia para dizer: estou desempregada e feliz. Sim. É verdade. O dinheiro de mês para mês encurta e isso é cada vez menos viável e basicamente é a única coisa que me põe uma corda na garganta. De resto... estou grata por tudo o que tenho na minha vida. O meu amor, a minha família, as minhas meninas, os meus amigos (que não vejo tanto quanto desejaria mas que sei que estão presentes), o meu calor, o meu porto de abrigo.

Sou feliz. E não há muita gente que o possa dizer.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

90 dias

Hoje sinto me vitima do sistema. Espero no ACT e não posso deixar de pensar no que tem sido a minha vida desde que comecei a trabalhar. Já se passaram 11 anos desde o primeiro salário, do primeiro trabalho. Trabalho desde cedo, estudava e trabalhava, matava neurónios durante a semana, ensaiva á noite peças de teatro, passava compras num hipermercado.
Foi assim durante anos. Trabalhar-estudar-estudar-trabalhar-dormir mal.
O cansaço pressegue ne. Presumo que já seja crónico.
Não, não sinto qualquer tipo de rancor pela vida que tenho. Não sinto que tenha tido azar, ou que ha quem tenha infinitamente mais sorte que eu. Sinto me só injustiçada. Nunca pensei que não merecia isto ou aquilo. Apenas queria estar em paz. Comigo. E que essa paz se reflectisse nos outros. Naqueles que amo. 
Espero entre aqueles que devem sofrer o mesmo ou mais que eu. E doi. Dói me um monte. Sinto me ultrajada, magoada, esfaqueada. Sinto falta de reconhecimento, de novas oportunidades.