terça-feira, 3 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Filmes da minha vida #8

Só neste país

Vou a uma entrevista. Perguntam-me quanto recebia. Quanto tenciono agora receber. Eu digo o valor. Ficam a olhar para mim de boca aberta. (E atenção que disse um valor mais por baixo do que realmente desejo). E perguntam: "Mas isso não é negociável?". Para baixo? Até pode ser. Conforme os prémios, e outras regalias. Tudo é negociável nesta vida.

Agora, se se diz que, nos tempos que correm, quem tem o 12º ano é a geração dos 500€, e quem é licenciado é a geração dos 1000€, porque raio peço eu um valor entre um e outro e acham estranho?

Meus amigos, falta-me só uma disciplina para acabar a licenciatura. E eu sei, que por aí, há sítios que pagam acima da média. Portanto, não julguem que estou desesperada. E muito menos que aceito um salário de 500€ com contrato temporário.

E não se surpreendam quando digo que projectos próximos são começar o mestrado.

E o que me custa, é ver quanto no UK pagam a um bibliotecário. Ou nos USA...

É nestas alturas, que tenho vontade de arriscar e partir.

Já diria Sérgio Godinho:

Portugal é nosso p’ro bem e p’ro mal 


 
Quando for grande vou ser explicadora. Ou abrir um centro de explicações. Isso é que está a dar!

domingo, 1 de agosto de 2010

Existem realmente amores doentios? Paixões que são mais doença que amor? Que nos impedem de viver? Que nos fazem pensar sempre na mesma pessoa?

E se sim, alguma vez, essas pessoas se podem curar? E aprender a amar saudavelmente?

Modus urbanos_Modus bucólicos

Há aquelas pessoas que nunca saíram da sua aldeia e têm medo da cidade, certo? Têm medo da confusão, dos ladrões, de andar de metro, do transito que não acaba. Se têm de ir à cidade, quase que se recusam. (E quando falo em cidade, falo numa cidade mais ou menos grande, não numa nano cidade).

Pois é. Eu cá descobri que tenho medo do campo. Do verdadeiro campo. Daquele com ovelhas, vacas, e um silêncio tenebroso. Daquele onde se vai a conduzir numa estrada sem luzes e de repente salta um coelho. Onde não há multibanco, nem autocarros, quase não há rede de telemóvel, e existe um único café que não tem café “porque está muito calor”.

A noite é escura, escura. Os sapos não se calam. As ovelhas passam o tempo a chocalhar. Isto pode ser tudo muito bonito para uma escapadela, mas para o dia-a-dia, deixa muito a desejar.

Perguntava-me a mim própria o que é que aquelas pessoas faziam na vida, quais são as oportunidades de trabalho que ali podem ter? Quantos km têm de fazer para chegar a um supermercado, a um hospital, a uma escola secundária?

Apesar de ser noutra ponta do país, não pude deixar de pensar na aldeia da minha avó. Mais ou menos abandonada, todos saíram de lá em busca de uma vida melhor.
Mas anos mais tarde, tiveram vontade de voltar, reconstruir as casas, mantê-las com a traça antiga, fazer dali um pedacinho de paraíso. Mas não para permanecerem a tempo inteiro. Um refúgio para escapar à confusão da cidade.

E sim, durante 3 ou 4 dias, pode-se estar muito bem. A respirar ar puro, a descansar à sombra da árvore, enquanto nos balançamos numa cama de rede, a ver as estrelas que na cidade já pouco se vêm.

Sabe bem.

Mas a cidade, a cidade é a minha casa. Gosto dela. Gosto da confusão. Do metro à porta de casa. Da possibilidade de escolha de restaurantes, de museus, de cinemas, de lojas, de bibliotecas.

Gosto deste cantinho de betão. Gosto de estar cá e saber que volta e meia tenho a natureza á minha espera. E o mar. E as infinitas noites escuras com um céu estrelado. Mas que é à cidade que pertenço.

"Não te esqueci"

"Nem te posso esquecer. Continuo a pensar todos os dias em ti. És muito especial."

Sempre que falamos, (que nos últimos tempos são basicamente três vezes por ano), dizes-me o mesmo. Sempre o disseste. E eu fico sempre a pensar nisso. E no que vivemos juntos. E que o passado pertence ao passado. E que o que pode ter feito anteriormente, naquela altura fez sentido. Teve significado. Mas agora já não. E que hoje em dia é apenas uma memória carinhosa. 

Foste importante. Aliás, até bastante importante.
Mas teria de haver, inevitavelmente, um fim.